* Maria Eduarda Ourívio A hidratação é tida como um dos principais pontos para o desempenho esportivo e, feita corretamente, pode ser o diferencial entre uma boa e uma má performance. Isso porque, durante a prática de exercícios físicos, a demanda por energia é alta, o que gera altas taxas de calor, que precisa ser eliminado pelo organismo para garantir seu funcionamento. A transpiração é o mecanismo natural para que essa eliminação aconteça e resulta em perdas expressivas de água no sangue, o que reduz a capacidade de transporte de oxigênio e nutrientes para os músculos em atividade, prejudicando a performance no exercício. A sede – em indivíduos normais e em condições normais – é o sinal de alerta de que a hidratação é necessária. Por isso é preciso cuidado nos treinos e, principalmente, ao competir. As condições impostas por uma prova de aventura fazem com que, não raro, a cabeça ignore os sinais do corpo devido ao cansaço, a falta de sono, a prática ininterrupta de atividade física, às condições climáticas e todas as privações pelas quais passa um atleta de aventura. E, nesse ambiente, a hidratação deve repor não só a água perdida no processo de regulação térmica do organismo, como também os nutrientes que vão embora em forma de suor. É sabido que a água é o componente presente em maior abundância no organismo. Porém, o corpo humano não possui reservas dessa substância e, por isso, necessita de constante reposição para a manutenção de suas funções básicas. Como parâmetro, um adulto em condições normais deve consumir de 2 a 2,5 L de água por dia, que também pode vir através dos alimentos, já que após a oxidação dos mesmos ocorre a liberação de água. Os refrigerantes não devem ser adotados como opção de hidratação, pois são considerados alimentos de calorias vazias. Significa que apresentam apenas calorias e água na sua composição e não fornecem nenhum nutriente para o corpo. Além disso, são bebidas gaseificadas, o que pode causar desconfortos intestinais, sem falar na absorção, que é mais lenta, o que faz com que não sejam ideais para a hidratação, principalmente durante exercícios físicos. A maioria dos refrigerantes possui, ainda, altas concentrações de cafeína, que é um potente diurético, o que vai de encontro ao processo de reposição. Nos refrigerantes diet o aspartame é mais um vilão. Cada lata contém 200mg da substância e estudos mostram que o consumo de mais de 600mg de aspartame/dia pode ser um fator de risco para o desenvolvimento de câncer. Os sucos naturais podem, sempre que possível, ser adotados. Além de refrescantes, são bebidas ricas em vitaminas e minerais e desempenham bem o papel de repositores, fornecendo energia para o corpo. Porém, não devem ser usados em substituição à água. Outra opção que deve ser adotada sempre que possível é a água de coco, que possui a composição química mais próxima da dos líquidos corporais. Os isotônicos também não devem ser deixados de lado, pois são formulados a partir de sais de sódio e cloretos associados a carboidratos (6 -8%). É a perda dessas substâncias a responsável pela fadiga em exercícios. O ideal, principalmente antes de competições, é programar a hidratação da mesma forma que se programa a alimentação. Uma hidratação responsável e criativa pode ser a estratégia que faltava para melhorar o desempenho, evitar transtornos e fazer a diferença em treinos e competições. * Maria Eduarda Ourívio é nutricionista especializada em nutrição clínica funcional, personal diet e dietas especiais. |